Geração X é a que mais teme perder o emprego
Serasa: planos de carreira e valorização de experiência e tempo de casa são vistos como as principais ações para reduzir insegurança
Pesquisa intitulada “Panorama do Trabalho no Brasil”, mapeamento realizado pela Serasa Experian, aponta que o medo de perder o emprego é uma realidade para a maioria dos profissionais brasileiros, mesmo entre aqueles que entregam bons resultados. No total, 77,5% dos entrevistados afirmam já ter vivido esse receio ao longo da carreira, mesmo fora de períodos de crise ou demissões em massa.
O índice é mais elevado entre os profissionais da Geração X, onde 81,2% relatam já ter tido medo de serem desligados, o maior percentual entre as gerações analisadas. Entre os Millennials, o índice é de 77%, seguido pelos Baby Boomers (73,5%). Já na Geração Z, 72,9% afirmam já ter vivenciado essa insegurança em relação à permanência no emprego.
Quando questionados sobre o que pode ajudar a melhorar a sensação de estabilidade no trabalho, 54,8% dos respondentes afirmam que planos de carreira claros e critérios objetivos de progressão são a principal ação para reduzir a insegurança. Na sequência, aparecem a valorização da experiência e do tempo de casa (46,2%) e a oferta de treinamentos contínuos (41,1%).
O recorte por geração reforça a importância desses fatores. Entre os Millennials, 56,8% apontam planos de carreira claros como principal elemento para aumentar a sensação de estabilidade. Na Geração X, o índice é de 52,1%, enquanto entre os Baby Boomers chega a 58,1%. Já entre a Geração Z, 53,4% destacam a clareza sobre crescimento profissional como fator central para se sentirem mais seguros no trabalho.
Ao olhar para o futuro, o mapeamento mostra sinais de avanço na expectativa de estabilidade em algumas gerações. Entre os profissionais da Geração Z, a expectativa de estabilidade para o próximo ano cresce de 37,9% para 54,3%, representando o maior avanço entre as gerações. Entre os Millennials, o índice sobe de 49,4% para 58,4%, enquanto na Geração X avança de 55,8% para 61,4%. Já entre os Baby Boomers, a expectativa apresenta leve recuo, passando de 64,7% para 62,5%.
O levantamento foi realizado entre novembro e dezembro de 2025 com 1.521 profissionais economicamente ativos ou em busca de emprego, de diferentes gerações e regiões do Brasil. A amostra é representativa da população pesquisada e a margem de erro do estudo é de 3%.
Profissionais 50+ são os mais fiéis e satisfeitos no trabalho
Já levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) mostra que a participação de profissionais com mais de 50 anos nas admissões formais no comércio e nos serviços em São Paulo vem crescendo gradualmente, passando de cerca de 7% em 2021 para 9% em 2025.
O envelhecimento da população economicamente ativa ganha ainda mais relevância quando analisado em conjunto com a pesquisa da Fundação Instituto de Administração (FIA), realizada em 2023 com mais de 200 mil funcionários de 293 empresas. O estudo aponta que os profissionais 50+ são hoje o grupo mais fiel, estável e satisfeito no mercado: apenas 1% declarou estar em busca de uma nova oportunidade, entre trabalhadores com até 39 anos, o índice registrou 3%.
Embora representem 10% dos respondentes, os profissionais acima de 50 anos ocupam 13% dos cargos de liderança nas empresas analisadas. Eles também atribuem notas mais altas a critérios como remuneração (14% acima da média dos mais jovens) além de autonomia, inovação e qualidade de vida no trabalho. O alinhamento com os valores corporativos é determinante: 20% dos 50+ consideram esse fator decisivo para permanecer na empresa, contra apenas 7% entre trabalhadores de até 22 anos.